Correr por uma causa, a Saúde Mental de todos nós!!

Muitos perguntam-me de onde veio a ideia deste desafio? Bem, então, para que compreendas melhor, vou partilhar da minha história. Como muitos já sabem, sofri de uma crise de pânico no final de 2014. Sempre fui uma pessoa muito ativa e gostava de desporto, mas fi-lo de forma a lazer e a manter o peso.

Era uma pessoa viciada no trabalho, trabalhava muitas horas a fio (12 a 14 horas por dia) e muitas vezes de segunda a segunda-feira, tinha uma posição de confiança que me gerava uma auto-cobrança, o meu nível de stress era elevado, mas não me apercebi, porque gostava muito do que trabalhava.

Mas tudo mudou, quando tive a minha primeira crise, foi a pior sensação que tive na minha vida, com medo de morrer. Foram semanas a ir ao hospital, até que um médico e também um desportista falou comigo e me guiou a mergulhar no desporto, e assim fiz, literalmente caí de cabeça no desporto.


Procurei um treinador e comecei a treinar. Um dia, um amigo convidou-me para fazer estafetas com ele numa meia maratona. Lembro-me muito bem da minha primeira experiência numa corrida, foi uma mistura de sensações, sentimentos incríveis, alegria e superação, estava muito entusiasmada, feliz e desde então nunca mais parei, e que a dor e o medo de viver, estavam gradualmente a desaparecer, e subscritos por um enorme desejo de viver. O desporto transformou a minha vida. E em poucos meses o triatlo entrou na minha vida.

Vamos começar a falar sobre o desafio da maratona.

Quando tomei a decisão de correr as 7 maratonas em 7 dias, a principal motivação foi ajudar as pessoas que sofrem dos mesmos sentimentos de dor e de um esgotamento mental que eu já tinha passado. Olhei para trás e identifiquei o que me fez sair desses sentimentos. Apercebi-me mais uma vez que o desporto é definitivamente um grande fator de felicidade para mim.

E durante a segunda fase do confinamento, conectei-me muito forte com a corrida, num dos meus treinos senti algo muito forte dentro de mim, que precisava de ajudar estas pessoas, mas como? Angariar fundos para uma associação de saúde mental. Já me tinha desafiado a correr a maratona, já concluí um Ironman, atravessei toda Portugal de norte a sul de bicicleta, o que poderia fazer para chamar a atenção das pessoas para a causa? Depois veio-me à cabeça correr 7 maratonas em 7 dias.

Toda a viagem até ao dia das maratonas foi muito especial para mim, todo o apoio que tive de todos os profissionais que todos os dias estavam do meu lado, os meus amigos e tendo o apoio incondicional da ASICS FRONTRUNNER, era fundamental que tudo funcionasse. Ter a minha equipa de corredores comigo deu-me ainda mais força para iniciar este enorme desafio.

No dia 25 de abril, iniciei o maior desafio da minha vida, daqui teria de lutar com os meus sentimentos, as minhas dores durante 7 dias, como lutei para ultrapassar a crise de pânico, sabia que seria um desafio, mas estava de coração cheio e de alegria infinita.

Tive momentos difíceis, o sol forte durante longas horas, o vento que não deu descanso, tive um dia frio e chuva, que para mim foi o dia mais difícil (quarto dia), as minhas emoções surgiram, chorei, mas foi nesse dia que senti o quão forte sou, e ganhei força para enfrentar todos os sentimentos até ao fim. Foram dias de lutas, dias em que também percebi que ninguém está sozinho, tive a ajuda de muitas pessoas durante os 7 dias, para apoiar, encorajar, motivar e receber muito carinho, tive a oportunidade de ver o mundo de outra forma, com um coração mais aliviado e sentimentos mais claros!

Tinha de planear todos os dias de uma forma, porque todos os dias o meu corpo reagia de uma forma diferente, mas o principal era apreciar a minha saúde. Coloquei pequenos objetivos, a cada 10 km agradecia por tê-lo conquistado, e por isso driblei a minha mente, ajudei-me a não me concentrar em todos os kms, também focada apenas naquele dia em que corria, dia para dia e aproveitando toda a experiência que ganhei a cada hora que passei. Decidi sair do alcatrão, melhor decisão para o alivio das minhas pernas, e fui correr na nossa maravilhosa Serra de Sintra, com belas paisagens e isso ajudou-me muito mentalmente. A cada maratona concluída senti uma imensa gratidão, o que me deu muita força para a próxima, fortaleceu-me mental e fisicamente, porque estava muito feliz por estar a correr por uma causa tão nobre. Adorei passar por todas as maratonas, mas sem dúvida que a última maratona foi a melhor e a mais prazerosa. 



Fazer a última maratona foi uma emoção sem tamanho, chorei muito, mas este choro foi apenas a emoção que consegui completar o maior desafio da minha vida... Entreguei-me de corpo e alma. Fiquei surpreendida com o quão bem a minha mente permaneceu, e a resposta positiva do meu corpo.

Correr por todos estes dias gerou-me uma imensa felicidade, por poder ter a oportunidade de ajudar o próximo, por ajudar a angariar fundos para a Associação Nacional de Saúde Mental de Portugal, o Alerta Mente, por divulgar uma causa que infelizmente ainda sofre por muitos preconceitos, dar voz a tantas pessoas que sofrem em silêncio, e simbolizar a luta de todos nós , que é a nossa saúde mental. Se me perguntares se o faria outra vez, diria sem pensar, sim, porque percebi o quão bem a corrida me faz e o quanto adoro correr.

Espero ter inspirado as pessoas não só a começarem a correr, mas também a irem em busca dos seus desafios de vida, e especialmente para serem melhores pessoas e felizes!!



Muito obrigado a ASICS FRONTRUNNER por acreditar e apoiar-me do princípio ao fim, senti-me muito especial e estou eternamente grata por fazer parte dessa equipa. Ter sucesso com um esforço coletivo é muito mais prazeroso. Juntos somos mais fortes!! 

Um beijinho e até a próxima aventura!  Pri Gonçalves

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Priscila Gonçalves

Marketing Digital de Lisboa


Clube: Estoril Praia Triatlo

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