Tudo começou quando no dia 07 de Agosto o João Andrade...

Tudo começou quando no dia 07 de Agosto o João Andrade dá uma entrevista on-line sobre o projeto por ele criado (One Hundred), e no final divulga e lança o desafio Douro Fasted Known Time (FKT) 100 Miles, que consistia em fazer as 100 milhas de Barca de Alva a Cinfães no melhor tempo possível, realizando esse percurso num dia à escolha, até a dia 22 de Setembro.

Quem batesse o record teria um prémio bastante aliciante nunca antes visto em Portugal, ou até mesmo no Mundo, para além de se tornar pioneiro no projeto que mudará o Trail criando um circuito organizado a nível mundial, que ainda não existe.

Desde o primeiro momento nunca tive dúvidas que queria participar pois achei fantástica a iniciativa.

Aceitei de imediato apesar de todas as dificuldades com que nos deparamos para participar num desafio como este, no meu caso, principalmente pela distância da minha residência até ao local onde se desenrola o desafio, mas sempre acreditei e apenas na última semana da data planeada confirmei a presença.

A equipa estava definida: dois bons amigos e a minha mulher. O dia também: 12 de setembro.

O dia estava muito quente, o carro marcava 38 Graus.

Antes de chegarmos a Barca de Alva fomos comprar gelo para garantir que os líquidos se manteriam frescos.

Pouco antes da partida, eu e os outros dois atletas que se desafiaram no mesmo dia demos uma pequena entrevista com o João junto ao Rio Douro sobre o que nos levou a participar no desafio e de seguida rumámos para o ponto de partida.

Pela primeira vez desde que começou, seria um desafio a três e partiríamos todos ao mesmo tempo.

Acabou por ser muito interessante, parecia quase uma prova, eram 19:30 hrs a temperatura tinha descido e o João dá a partida.

A inovação foi superinteressante: cada atleta tinha um gps tracker que permitia a quem estivesse em casa acompanhar em tempo real a nossa prestação. Além disso, foi colocado por live-tracking um fantasma (Ghost) que simulava o record anterior, assim quem chegasse á frente do Ghost bateria esse record. Muito interessante este conceito, deixando os seguidores empolgados.

Com a equipa pouco ou nada combinámos, mas tudo fluiu muito bem, penso que o sucesso do tempo foi a entrega de todos no mesmo objetivo: bater o record que existia e nunca pensarmos no tempo final.

Tive uma equipa simplesmente irrepreensível, durante 16 horas e 40 minutos nunca me deixaram, estiveram sempre a meu lado, fomos uma equipa humilde, trabalhadora e que deu tudo, mas tudo em prol de mim. Estarei sempre agradecido pelo que fizeram.

O ritmo estava definido pelo meu treinador e fui um autêntico relógio suíço.

Quando partimos de Barca de Alva, pouco depois entramos numa estrada em terra batida, o calor e o pó que se levantava dos carros impunha que se mantivessem atrás de nós. Foram quase 8 kms até entrarmos novamente em estrada até Cinfães.

Com o cair da noite, toda a zona envolvente fica lindíssima, a paisagem com o rio Douro como pano de fundo é qualquer coisa de fantástico, recordo-me perfeitamente de passar pelo João Andrade e dizer-lhe que estava muito feliz de ali estar, foi uma sensação única.

Pouco depois estávamos em noite serrada, com o frontal colocado era seguir o ritmo sem nunca pensar nos adversários, estava muito tranquilo, e senti esta tranquilidade do início ao fim, podem até achar estranho mas foram os 160 kms mais tranquilos que alguma vez fiz, nunca sofri!

Tive sempre muito cuidado com a alimentação, não tendo problemas estomacais ou gástricos, alimentei-me de géis, barras, isotónico, fruta, massa, muita água e activator para aquelas horas mais difíceis em que o corpo pede descanso.

Com a minha equipa sempre junto a mim parecia que estava numa prova de ciclismo. Bastava levantar a mão e de repente tinha tudo á minha disposição: em alguns momentos pedia um pacer e ele ou ela ali estavam disponiveis, necessitava de uma motivação extra eles ali estavam, necessitava de informação dos restantes atletas e eles debitavam tudo, pedi até um café e em menos de 5 minutos tive um saboroso expresso.

Realmente este tipo de prova foi, como para quase todos, uma nova experiência, confesso que gostei mas que ainda preciso de me converter totalmente. Ainda sou do tempo de ter tudo numa mochila e correr em semi ou autonomia total e principalmente na serra ou na montanha, dá uma sensação de liberdade difícil de explicar! Mas aqui as regras eram do tipo Badwater. Fiquei com aquela sensação que até pode ser um dos meu caminhos, quem sabe…

Os kms passaram muito rápidos, com o sol a nascer já tinha passado a Régua, pouco depois estávamos no chamado “carrossel” onde subimos e descemos constantemente, aqui já levamos uma quantidade de quilómetros mas como são subidas e descidas pouco acentuadas, fez-se com algum “à-vontade”, esta sensação foi o que mais me “preocupou”, porque quando chego a Cinfães a disponibilidade ainda era alguma e isto dava-me aquela sensação que o tempo feito podia ser batido, e assim foi e bem!

Foi um fim‑de‑semana incrível, penso que fomos bons protagonistas e repetia tudo novamente.

A recuperação iniciou logo após terminar a prova, vou regressar dentro de poucos dias novamente às 100 milhas mas desta vez em estafetas no maior e magnífico Parque Nacional Peneda Gerês.

escrito por
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Nuno Rocha

Terapeuta / Massagista de Lisboa

Faixa Etária: 40-45

Treinador: Tiago Aragão

Minhas modalidade
Ultra Maratona de Montanha Yoga / Pilates Ultra Maratona Corrida de Montanha 10km

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