#poeumavelapormim 160kms-160pessoas-160velas

“Põe uma vela por mim”, este foi o mote para rumar ao Santuário de Fátima partindo da porta da minha casa (Belas, Sintra) em modo solitário, com um track e em autonomia total.

Já há alguns anos que tinha esta ideia, mas com o plano de provas competitivas definidas seria difícil encaixar este bonito percurso, Caminhos de Fátima, como objetivo.

Há umas semanas atrás o meu irmão fez este mesmo trajeto de bicicleta o que me aguçou ainda mais o apetite em o realizar.

Num ano de pandemia, sem provas competitivas, seria a altura perfeita e ideal para fazer esta travessia.

Numa semana e meia "preparei-me" para esta missão, obviamente que não é o suficiente, longe disso, valeu-me a experiência das longas distâncias que me ajudou a gerir o esforço até ao final.

E para que não fosse apenas uma viagem solitária, acabei por criar o evento "Põe Uma Vela Por Mim" e juntar muitos amigos e desconhecidos, resumidamente, quando nós vamos a Fátima existe sempre alguém que nos diz, "podes colocar uma vela por mim?" a partir daqui foi divulgar a todos aqueles que pretendiam que eu colocasse uma vela por eles, bastaria pagarem o valor da vela 0,50 Cêntimos, que é o preço da vela em Fátima, e eu quando chegasse á capelinha faria com que esse desejo fosse cumprido.

Foram mais de 70 pessoas que se juntaram, foi incrível, mas a responsabilidade aumentava, sabia que tinha de cumprir perante quem acreditou e confiou de que chegaria a bom porto, e seria impossível não chegar, não poderia falhar, independentemente de todas as adversidades, tinha que concluir.

Na véspera tratei de toda a logística, tal como se fosse fazer uma prova de longa distância, equipamento preparado, alimentação organizada, verificar no mapa os pontos de água e colocar o track no relógio. Isto para mim é uma rotina normal, onde, quase, nada falhou.

Em termos de equipamentos levei o que já estava habituado a usar, o fundamental claro, nunca devemos “inventar”, usar apenas e só aquilo que estamos habituados a usar nos treinos, tudo o que é novo deve ficar para a próxima. Fui equipado com ASICS e com os novos Gel Nimbus 22 que foram soberbos, desde que saí de casa até ao Santuário não tive uma única bolha ou queimadura nos pés, aqui existe alguns truques para que tal não aconteça, nunca tive a necessidade de ajustar atacadores ou a lingueta. Frescos e com um conforto que só os Nimbus têm.

Garantidamente que foi uma excelente escolha, claro que quando entramos na serra, ficamos um pouco mais limitados, mas adaptaram-se muito bem ao piso que maioritariamente era pedra solta. Se já era fã, fiquei ainda mais. Quem pensa fazer algo do género é uma excelente escolha, não duvidem!

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Parti de casa ás 02:30hrs da manhã, uma noite super tranquila, foi tão bom, longe das competições atuais, de imediato recordei-me das provas em que partimos de noite, sensação maravilhosa, frontal colocado, vamos a isso, parti de Belas, depois fui ligando Queluz de Baixo, Queijas, Jamor, Algés, Cais do Sodré, Xabregas, Parque das Nações, foram 30 kms até entrar no percurso Caminhos de Fátima.

Não imaginava que tudo estivesse tão bem marcado, basta ir um pouco atento e faz-se o percurso quase todo sem track e sem um único erro.

Quem conhece o percurso sabe que até Santarém é 100% plano, foram 120 kms sem nunca ver ninguém e pior, aquelas retas intermináveis são a loucura.

Antes de chegar a Santarém, quando tinha 100 kms feitos, ás 13h da tarde, decidi e muito bem, parar em Valada para almoçar. Tranquilo, comi bem, estive á volta de 1h30 no restaurante, sabia que dali para a frente, até Santarém, com calor, seria mais exigente, daí ter sido perfeito a paragem nesta aldeia do Ribatejo. Arranco ás 14:30, uma estrada de terra batida sem nada, penso ser o espaço entre comunidades mais longo, chegar a Santarém era o grande objetivo, porque dali para a frente a paisagem e o perfil do terreno muda muito, é um sobe e desce constante, mais a meu jeito, e por onde passamos é lindíssimo em algumas das zonas.

Claro que bastaria fazer contas para saber que chegaria ao Santuário de Fátima de madrugada, onde estariam os meus pais a aguardar-me.

A Travessia da Serra dos Candeeiros e Aires foi onde talvez tenha queimado mais minutos, perdi-me várias vezes e sempre nos locais mais complicados, zona alta da serra, fazia muito vento e o frio fazia-se sentir, aí apercebi-me que cometi alguns erros: não ter levado um corta vento, pelo que comecei a ter frio; ter desativado o track do relógio (fi-lo porque o track que levava era antigo, de 2014, e por vezes desviava-se demasiado do percurso sinalizado, assim, acabei por desativar e ativar apenas o GPS), o que com o cansaço acumulado fez com que a concentração também fosse diminuindo.

Cheguei a uma altura em que tive de regressar ao track do relógio e foi o melhor que fiz, não voltando a perder-me mais até Fátima.

Mas acreditem que, estando completamente sozinho na serra, em que a luz que existe é apenas a do nosso frontal, não conhecendo o local onde estamos e percebendo que as pessoas que estão em casa ficam ansiosas e nervosas por estarmos ali sem referências, foi uma experiencia incrível. Nunca senti qualquer receio, quem me conhece sabe que gosto de correr de noite (mas orientado). Tendo um bom frontal, telemóvel com carga, sempre contactável, não havia qualquer perigo, estava tudo muito bem controlado.

Chegando a Minde até Fátima, são há volta de 15 kms e foi ver os quilómetros a baixarem e fazer um review de todo o trajeto que tinha feito até ali. É uma sensação tão boa, mas mais ainda sabendo que iria cumprir junto de quem me apoiou e acreditou que iria colocar a sua vela no Santuário de Fátima.

Chego por volta das 04:15hrs da manhã, onde naquele local especial, estavam apenas duas pessoas hiper mega especiais, os meus pais, a eles um GIGANTE OBRIGADO por toda a paciência que tiveram; infelizmente dada a pandemia que todos vivemos não era possível mais pessoas terem ido esperar como eu tanto desejava e como essas pessoas também assim o desejavam.

Cumpri a missão, coloquei mais de 70 velas, 70 desejos, 70 boas energias que recebi ao longo das 26 horas e mais de 183 kms.

Mais uma boa recordação que fica registada na minha vida para que um dia possa contar aos meus netos esta linda aventura.

Tenho que concluir com agradecimentos sem qualquer ordem de importância:

Sr. Luciano; Tiago Aragão, aos meus pais, meu irmão Jorge e cunhada Ana, minha mulher e filha, todos aqueles que se juntaram a esta iniciativa, o meu muito obrigado, vamos então á próxima.

#boraaaa

escrito por
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Nuno Rocha

Terapeuta / Massagista de Lisboa

Faixa Etária: 40-45

Treinador: Tiago Aragão

Minhas modalidade
Ultra Maratona de Montanha Yoga / Pilates Ultra Maratona Corrida de Montanha 10km

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